16 de setembro de 2014

Cansados de Deus.

Data: 14.09.2014 | Lugar: Igreja Batista em Vila Macedo, Piraquara – Paraná.
Tema: “Apelo do Senhor à seu povo”.
Fonte: Spurgeon, Matthew Henry, Moody.
Texto: “Povo meu, que te tenho feito? E com que te enfadei? Responde-me” (Miquéias 6.3)

            Miquéias foi levantado para apoiar Isaías e confirmar as suas profecias, enquanto convidava o povo ao arrependimento, por causa das ameaças de juízos, e das misericórdias prometidas.
            Em Miquéias 3.1-5 o povo é convocado para que declare porque está cansado de adorar a Deus, e têm a tendência à idolatria. O pecado causa controvérsia entre Deus e o homem. Deus argumenta conosco, e nos ensina a argumentarmos cada um consigo mesmo. Que eles se lembrem dos muitos favores que Deus concedeu tanto a eles quanto aos seus pais, e comparem-nos com a sua conduta indigna e ingrata para com Ele.
            Longe esteja de nós ser negligentes, quando Deus tem controvérsia conosco, pois para Ele é questão de profunda solenidade. Condescendendo em graça, Ele dá muito valor à afeição de seu povo, e não a perderá sem esforço.
            Muitas vezes nos apegamos a forma de nossos cultos e liturgias e nos esquecemos do espírito. Cumpre-nos meditar sobre a pergunta que Pilatos fez ao povo: “o que farei de Jesus, chamado o Cristo?” Essa pergunta é a central na vida de todos nós.
            Citar pintura.
            Citar escolha da morte pelo povo.
           
I. Uma exclamação comovente: “povo meu”.
Não é admirável que tal linguagem seja usada pelo Deus Eterno?
A) É a voz de solene austeridade;
B) É o grito de tristeza. O vocativo está regado de lágrimas;
C) É o apelo do amor. Amor injuriado, mas vivo, apelante, lutador e suplicante;
D) É a linguagem do desejo. O amor divino deseja ardentemente a reconciliação do rebelde: anseia por ter sua leal afeição.

II. Um fato doloroso: “[...] te enfadei [...]”
Israel agia como se estivesse cansado de Deus.
A) Estavam enfadados de seu nome. Baal e Astarote estavam na moda, e o Deus vivo foi desprezado;
B) Estavam enfadados de sua adoração. O sacrifício, o sacerdote, o lugar santo, a oração etc., tudo fora desprezado;
C) Estavam enfadados de obedecer às suas leis, embora fossem retas e justas, e se destinassem ao bem deles;
D) Estavam enfadados de suas restrições: queriam liberdade para se arruinarem mediante transgressão.

III. Uma pergunta paciente: “que tenho feito?”.
Amor extraordinário! O próprio Deus submete-se a julgamento.
A) Que ato singular de Deus poderia induzir-nos a abandonar o seu caminho? “Que tenho feito?”
B) Que caminho contínuo de Deus poderia causar-nos enfado? “Com que te enfadei?”
C) Que tipo de testemunho podemos apresentar contra Deus? “Responde-me”.

Se estamos enfadamos com nosso Deus, é:
1) Por causa de nossa obstinação insensata;
2) Por causa de nossa imaginação volúvel;
3) Por causa de nosso débil amor a Ele e à Santidade.

Considerações finais
            Ora, há uma coisa para a qual precisamos chamar a atenção dos rebeldes: que o Senhor nunca os abandonou; eles é que abandonaram! O Senhor nunca os deixou; eles é que o deixaram! E isso, também, sem nenhum motivo.
            O amor não gosta de ser esquecido. Vocês, mães, ficariam com o coração partido, se seus filhos os deixassem, e nunca lhes escrevessem uma palavra, ou enviassem qualquer lembrança de sua afeição por vocês; e Deus insiste com os rebeldes, como um pai insiste com os queridos que se desviaram. E ele tenta trazê-los de volta. Ele pergunta: “que vos tenho feito para que me abandonásseis?” As mais ternas e amorosas palavras encontradas em nossa Bíblia são de Yahweh para aqueles que o deixaram sem motivo (D.L. Moody).
            Que aqueles que são tentados a afastar-se do Senhor, lembrem-se da resposta de Cristão a Apolião, quando este procurou persuadi-lo a voltar a esquecer-se de seu Senhor: “Ó destruidor Apolião, para falar a verdade, gosto de servir a ele, de seu salário, de seus servos, de seu governo, de sua companhia, e de seu país, mais do que dos teus; deixa, pois, de querer persuadir-me. Sou servo dele, e a ele seguirei”.

            Quando um juiz infiel exigiu que blasfemasse contra Cristo, Policarp deu-lhe esta resposta inteligente e devota: “tenho vivido durante oitenta e seis anos. Nem uma vez sequer ele me prejudicou em qualquer coisa; porque, pois, deveria eu blasfemar contra o meu Deus, que em nada me embaraçou e em nada me prejudicou?”

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