22 de maio de 2014

A Blasfêmia contra o Espírito Santo.

Job. Nascimento
Igreja Batista de Vila Macedo, Piraquara – Paraná – Brasil.

Introdução: Muito tem se falado sobre o Espírito Santo e coincidentemente muito ensino absurdo tem se propagado no meio cristão. Muita divisão surgiu na igreja protestante brasileira por causa do gestual e que, supostamente, seria o manifestar do Espírito. Isso entra em contradição com um dos ofícios do Espírito Santo que é promover a união. Neste breve tempo falaremos sobre o que é a blasfêmia contra o Espírito Santo.

I. Os exorcismos de Jesus.
Em Mateus encontra-se pelo menos dois textos que se referem à blasfêmia dos fariseus ao Espírito Santo. Em Mateus 9.32-34 relata que é trazido a Jesus um endemoninhado (ninho de demônios) e expelido o demônio o mudo falou, o povo se alegrou, mas os fariseus afirmavam que Jesus expelia os demônios pelo poder de Belzebu. Esse texto é breve e sucinto, a narrativa continua citando outro acontecimento; em Mateus 12.22-32 vê-se uma narrativa de um cego e surdo que estava endemoninhado e Jesus cura-o expulsando os demônios. A multidão nesse momento se alegra e exclama: “é, por ventura, o Filho de Davi”, dando a entender de que estava reconhecendo Jesus como o Messias. Os fariseus se revoltam e afirmam que Jesus expulsa os demônios pelo poder de Belzebu (“príncipe dos demônios”, “senhor das moscas”). Jesus se irrita e pergunta: “e, se eu expulso demônios por Belzebu, por quem expulsam vossos Filhos?” (12.27), aqui nota-se que a prática do exorcismo era comum entre os judeus. Jesus prossegue afirmando que não pode um reino dividido subsistir, então como poderia Ele expulsar os demônios pelo poder de Belzebu. Jesus faz uso de uma comparação afirmando que ninguém entra na casa de um valente para roubá-lo sem antes o amarrá-lo. Se os fariseus reconhecessem que Jesus expulsava os demônios pelo poder do Espírito Santo, eles haviam recebido o Reino de Deus. Então o ato de reconhecer e discernir os feitos do Espírito é um indício de sua presença em nós. No entanto, não reconhecer o Espírito em seus feitos e milagres é uma grave evidência.

II A blasfêmia contra o Espírito Santo.
Ao final da narrativa de Mateus 12.22-32 Jesus afirma que todo pecado e blasfêmia serão perdoados aos homens, exceto a blasfêmia contra o Espírito Santo. Depreende-se deste texto que a blasfêmia contra o Espírito seria o ato de atribuir a demônios uma obra exclusivamente do Espírito Santo. A nota de rodapé da Bíblia de Genebra (2005, p. 1118) afirma o seguinte:

Falar contra o Espírito, chamando a obra do Espírito de obra de Satanás, envolve uma rejeição explícita, intencional e decisiva do único Poder que pode trazer arrependimento. A noção de “pecado imperdoável” tem provocado ansiedade desnecessária. Qualquer que foi convencido do pecado pelo Espírito (João 16.8) e agora crê na verdade não pode ter cometido esse pecado.

Então, pode-se entender que se uma vez recebido o Espírito não podemos blasfemar contra ele. Da mesma forma em que noutro texto Jesus afirma que aquele que expulsa demônios e promove cura em seu nome logo em seguida não pode blasfemar contra Ele, “quem não é contra vocês, é por vocês” (Lucas 9.50). Da mesma forma que quem atribui aos demônios uma obra exclusivamente do Espírito faz isso deliberadamente confirmando a ausência do Espírito em seu ser. Matthew Henry (2003, p. 766) afirma:

Existem dois grandes interesses no mundo; e quando os espíritos imundos são expulsos pelo Espírito Santo, na conversão dos pecadores a uma vida de fé e obediência, tem chegado a nós o reino de Deus. Todos os que não ajudam, nem se regozijam com este tipo de mudança estão contra Cristo.
           
            Quem tem o Espírito se alegra quando há salvação e libertação dos homens, e quem se opõe aos feitos do Espírito está contra Cristo. Aquele que teme haver cometido o pecado da blasfêmia contra o Espírito Santo não cometeu porque existe em seu coração o zelo pelas coisas de Deus, enquanto que quem comete a blasfêmia nem percebe isso e está longe de se aproximar de Deus e desdenha das coisas sagradas.

III O que não é blasfêmia contra o Espírito Santo.
Muito tem se espalhado no meio cristão que possivelmente a blasfêmia contra o Espírito seria o ato de caçoar das línguas estranhas (glossolalia) de algumas pessoas. Ora, como vimos, não é isso. A blasfêmia contra o Espírito é o ato deliberado de atribuir aos demônios uma obra puramente do Espírito. Outro apontamento necessário que deve-se fazer é que se alguém adora aos demônios e recebe “bênçãos”, esse ato é dos demônios mesmo e não blasfema quando atribui a Satanás seus feitos.

Considerações Finais.
Então, visto que o pecado de blasfêmia contra o Espírito Santo é o ato de atribuir deliberadamente aos demônios uma obra exclusivamente de Deus, e em nós o zelo pelas coisas sagradas ou a dúvida de haver cometido esse pecado imperdoável, que possamos ficar tranquilos, pois se há a dúvida, não houve o pecado neste caso. Aqui diferenciamo-nos do que Henry (2003, p. 766) diz: “uma alma submetida ao poder de Satanás e presa por ele está cega para as coisas de Deus e muda perante o trono da graça”. Se nós respondemos ao chamado do Espírito e atentamos para a Graça salvadora de Deus, então temos o Espírito e somos salvos. Que Deus internalize em nossos corações essa mensagem e que possamos levá-la para as pessoas que estão cegas, surdas e mudas pelo inimigo. O Senhor veio para dá vista aos cegos e nós somos o instrumento pelo qual Ele aprove usar. Amém.

Referências:

GENEBRA, Bíblia de Estudo de. São Paulo: Cultura Cristã, 2005.

HENRY, Matthew. Comentário Bíblico de Matthew Henry. 3ª Edição. Rio de Janeiro: CPAD, 2003.

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