16 de fevereiro de 2014

Não despreze os humildes começos.

Charles Haddon Spurgeon.

Texto: Zacarias 4.10.

Introdução: É grande o número de pessoas que desprezam “o dia dos humildes começos”. Geralmente é o modo de Deus começar suas grandes obras, com um dia de pequenos começos. Assim, se nota que nada há nos próprios meios usados; assim, o poder divino é exibido de modo mais pleno; assim, a fé é exercida e destinada a ensinar muitas lições; porque deveriam os homens desprezar aquilo que Deus ordena?; eles demonstram o seu desprezo de algumas maneiras: fingem compaixão, censuram, olham com desdém e lançam no ridículo.

I. Aqueles que desprezam a outros que estão no dia de humildes começos.
  •      Não sabem que há criançinhas em graça, e que essas são verdadeiros filhos de Deus? Duvidam desse fato evidente?
  •       Vocês mesmos, outrora, não eram pequenos assim?
  •      Não foram os maiores dos santos muito débeis, outrora? Teriam agido desse modo com eles?
  •      Nosso Senhor não cuidou ternamente dos cordeirinhos?

II. Aqueles que desprezam o dia dos humildes começos em si mesmos.

  •     Com frequência, deixarão de observar e nutrir pensamentos e sentimentos que os levariam a Cristo. 
  •        Não são capazes de crer que a salvação pode vir por meios comuns ou mediante seus atuais conhecimentos e emoções: esses são pequenos demais em sua estima; anelam por sinais e maravilhas.
  •     Se nutrissem seus fracos desejos, e suas débeis resoluções, e tímidas crenças e trêmulas esperanças, deles adviria o bem.
  •       Não há dúvida de que muitos pensam mal de sua própria condição, quando Deus pensa bem delas. Julgam que a pequena fé, e a pequena vida e a pequena força são inúteis; mas o Senhor não pensa assim.
III. Aqueles que não desprezam o dia dos humildes começos
  • Pastores esperançosos. Estamos atentos aos sinais graciosos, e somos mais propensos a ser desencaminhados por nossas ardentes esperanças do que cair na falta oposta de desprezar o dia dos humildes começos.
  • Pais ansiosos. Anseiam ver o florescimento da graça em seus filhos. Os mínimos sinais de vida espiritual os encantariam.
  • Sábios ganhadores de almas. Alegram-se por ver “primeiro a erva”. Venham a ele, todas vocês, almas trementes.
Conclusão: Quando um menino começou a desenhar retratos em sua lousa, e a fazer esboços com carvão, nele estava, em forma embrionária, o grande artista. Não eram todos que podiam perceber seu gênio, que desabrochava, mas aquele que percebeu e estimulou o jovem a prosseguir na arte com sua vocação, encontrou satisfação a vida inteira, por tê-lo ajudado. Tivesse ele olhado com desdém para o jovem desenhista, e teria vivido para ver sua insensatez; mas agora sente prazer em cada triunfo obtido pelo renomado pintor. Sentirão uma alegria assim, apenas de uma ordem mais elevada e mais espiritual, se estimularem cedo a piedade, e ensinarem ao terno coração o caminho da paz e da santidade. Reprimir os desejos voltados para o céu, porque neles está presente algo de infantil, é perversa crueldade: desbastem a videira de seus ramos improdutivos, mas não a arranquem. Fomentem e nutram mesmo o mais tênue sinal de graça. “Não desperdices, pois há bênção nele” (Isaías 65.8). Uma tarde, notei que estava no culto uma jovem que eu sabia ser professora da Escola Dominical. Após o culto, perguntei-lhe onde estava a classe. Ah! Disse ela: “fui à escola e encontrei um menino, e por isso, vim embora.” “Somente um menino!” disse eu; “pense no valor de tal alma! As chamas de uma Reforma podem estar latentes naquele rapaz em formação; pode ser um novo Knox, ou um Wesley, ou um Whitefield em sua classe” (D.L.Moody). O Musgo é apenas uma pequenina planta, mas quando suas sementes caem em pântanos profundos, alagadiços e traiçoeiros, eles crescem, e unem o terreno de tal modo que se torna perfeitamente seguro passar por cima – construir, na verdade, uma ponte ampla e durável. “Em toda a criação se obtêm os mais grandiosos e complicados fins, pelo emprego dos mais simples meios” (James Neil).