2 de dezembro de 2013

O poder que mantém o equilíbrio no mundo.

Por Job. Nascimento

Título: A mão poderosa de Deus é a força que mantém o equilíbrio sobre a terra.
Texto: Daniel 5.

Introdução.

Este texto de Daniel 5 mostra-nos a história do rei Belsazar que foi um rei mal aos olhos do Senhor e que, além de todas as pessoas que ele matou e escravizou, ainda teve coragem de profanar os utensílios do templo do Senhor. Mas, a Mão de Deus escreveu sobre a parede algumas inscrições e o rei ao ver esse ato “relaxou os ombros e tremeu os joelhos”, foi aterrorizado por sua consciência e pediu que interpretassem o que a inscrição queria dizer. Notamos que a forma mais antiga do oráculo mene, tequel u-parshin não consta no texto massorético de Daniel 5.25ss, mas está na LXX. “Mene = teu reino está contado; phares = está removido; tequel = está colocado numa balança”.

I. Nenhuma consciência está tão morta que Deus não possa despertá-la.

            É interessante notarmos que o rei Belsazar era um monarca irresponsável e negligente. Ele havia endurecido o seu coração com orgulho, e Daniel disse: “Te levantaste contra o Senhor do Céu”. O rei estava com más companhias e profanava os utensílios da casa do Senhor em seu banquete, como expressão de desprezo ao Deus de Israel. Mas, nenhum homem está fora do alcance das setas de Deus.
            Neste contexto parecia improvável que a consciência e os pensamentos do rei se turbassem, mas a Mão Poderosa de Deus escreveu sobre a parede e o rei assustou-se. Ora, alguns poderiam argumentar que a mão e os dedos que o rei viu escrever na parede eram frutos de sua imaginação afetada pelo vinho. No entanto, o que foi escrito na parede estava visível aos olhos de todos.
            Porque esses dedos e essa escritura na parede fizeram o rei ficar tão pensativo? Porque o que fizera era alarmante. Seu próprio passado reluziu diante dele. Suas guerras, opressões, blasfêmias e vícios cruéis. O que deixara de fazer, apresentou-se diante dele, o que estava no ato de fazer, portanto, surpreendeu-o. Muito de nós talvez seja igual o rei Belsazar, são levianos com as coisas santas. Negligenciam, ridicularizam ou usam sem sinceridade, as coisas de Deus.
            A consciência do rei foi despertada e, diz o texto, “relaxaram-se seus ombros e seus joelhos tremeram”. Mas, consciência sem ação é como um braço ressequido nas almas de muitos, o braço existe no corpo, mas ele não pode ser estendido. O Senhor da consciência um dia dirá: “estende-te, e faze a obra que te compete”.
            “Tal como um formigueiro, quando mexido, movimenta suas formigas em todas as direções, assim a consciência do pecador, turbada pelo Espírito ou pelos juízos de Deus, traz perante sua visão milhares de atos que enchem a alma de agonia e angústia.” (McCosh)
            Charles Spurgeon relata que certa vez o Duque de Wellington disse uma vez que poderia ter salvado a vida de mil homens em um ano, tivesse ele capelães ou quaisquer pastores religiosos. A intranqüilidade das mentes deles reagia sobre seus corpos, e os mantinham em febre contínua, uma vez que ela se apossasse de suas estruturas. Nosso ofício bendito é falar de um que pode “ministrar a uma mente enferma”. Aquele cuja graça pode livrar da “má consciência”, e por meio de quem são removidos todo o medo e perturbação anteriores.
            Carlos IX, da França, em sua juventude, tinha sensibilidades humanitárias e ternas. O diabo que o tentou, foi a mãe que o criou. Quando, pela primeira vez, ela propôs o massacre dos huguenotes, ele encolheu-se de horror: “não, não, senhor! Eles são meus súditos amáveis”. Depois veio a hora crítica de sua vida. Tivesse ele acariciado aquela sensibilidade natural ante o derramamento de sangue, e jamais a Noite de S. Bartolomeu teria desgraçado a história de seu reinado, e ele próprio teria escapado ao remorso terrível que o enlouquecia em seu leito de morte. A seu mérito, disse ele nas suas últimas horas de vida: “dormindo ou acordado, vejo os vultos destroçados dos huguenotes passando diante de mim. Gotejam sangue. Mostram seus rostos horrendos para mim. Apontam para suas feridas abertas e zombam de mim. Oh, tivesse eu poupado pelo menos as criançinhas de peito!” Então rompeu em gritos e gemidos agonizantes.

II. Deus faz do peso dos Mártires o centro de gravidade da história.

            O sentido de MN, PRS e TQL deve ser procurado em uma direção. O oráculo pretende estabelecer, primeiramente, uma correspondência entre as moedas cada vez menores e os poderes de reis cada vez mais enfraquecidos. Na antiguidade (especialmente entre os persas), as moedas representavam pesos de metais preciosos. Moedas de menos valor representavam ao mesmo tempo pesos menores. Disso podemos relacionar: as moedas menores simbolizam pesos cada vez menores, desvanece cada vez mais o poder dos grandes reis babilônicos.
            Os reis opressores, com todo o seu peso gigante de poder, por fim não conseguem mais segurar o equilíbrio contra o peso crescente dos oprimidos, explorados e assassinados. Um dia, os poderosos mesmos se derrubam pelo peso das vítimas que produzem. Assim, pelo processo de constante opressão e exploração, eles perdem – vítima por vítima – na balança da história mundial seu próprio peso. Nisso se manifestam a cegueira e o equívoco de todos os poderosos, acreditando que suas vítimas desaparecem sem peso no nada (...) o peso dos poderosos se desvanece porque o peso daqueles que são esmagados e maltratados brutalmente torna-se, um dia, maior do que o peso dos tiranos que tudo pisoteiam. É Deus que, afinal, garante o funcionamento sincero da balança da história mundial. Os miseráveis, os excluídos, os ‘sem voz e vez’ recuperarão seu peso histórico. Deus fará, assim, do peso das vítimas e dos mártires o centro de gravidade da história.
           
III. O poder medidor constante na mão poderosa de Deus, que rege o mundo e o sustenta em equilíbrio.

            Diante do que dissemos acima isso nos faz refletir sobre a força oculta e invisível para muitos historiadores e que mantém o peso de equilíbrio entre opressores e oprimidos na nossa história cíclica: o poder medidor constante na mão poderosa de Deus, que rege o mundo e o sustenta em equilíbrio. “Ele depõe os poderosos de seus tronos, e a humildes exalta; ele cumula de bens a famintos e despede ricos de mãos vazias, socorre Israel, seu servo, lembrando de sua misericórdia”.
            Saltam aos nossos olhos os perigos e graves conseqüências de um sistema de ferrenho imperialismo e opressão global que ainda está em vigor e que desestabiliza vários países e cria o ambiente para a privatizações de guerras. O menetequel de Daniel 5.25 permanece uma promessa e um alerta, apontando também para acontecimentos da nossa época que ainda rompem nossa imaginação.

Conclusão.

            Muitas vezes, erroneamente, pensamos que estamos abandonados à impunidade e às injustiças que nos cercam. Vemos muitos homens maus se darem bem na vida ou serem punidos com penas pequenas, diante disso pensamos: “não vale a pena ser bom” “a impunidade reina neste mundo”. No entanto, existe uma força oculta aos olhos de muitos que age de forma aterradora exercendo justiça na humanidade, esse força passa imperceptível diante de muitos historiadores, políticos e criminosos. Essa força sustenta e coloca em equilíbrio o universo e suas leis, a relação entre opressores e oprimidos, esta força é a mão poderosa de Deus que tudo rege e legisla.
            Essa força nos colocou em equilíbrio quando estávamos separados de Deus pelo pecado. Essa força devolve o equilíbrio de nossa intimidade e relacionamento com Deus, através da Graça, ela desperta a consciência dos homens para que estes enxerguem os seus pecados e se arrependam. Se formos tocados pela mão de Deus para voltarmos ao equilíbrio, que não sejamos alguém que tem consciência, mas não age. Ao contrário, que possamos fazer as boas obras do Senhor.