17 de setembro de 2013

Deus é o Deus dos sedentos.

Por Job. Nascimento

Texto: Salmo 63.
ICT: Nos versos 1-8 o escritor expressa seus santos anseios por Deus e sua confiança Nele; e depois nos três versículos restantes, ele profetiza a derrota de todos os seus inimigos. Este salmo é especialmente apropriado para o leitor em dor, ou em qualquer ausência forçada do culto público.

Introdução.
            Segundo alguns comentaristas, Davi estava fugindo de seu filho Absalão quando escreveu esse salmo. Talvez haja outros salmos que se igualem a este na expressão de profunda devoção; poucos, ou talvez nenhum, o ultrapassem. Estava no deserto. Vemos aqui que mais uma vez a pior situação trouxe à tona o melhor que Davi pôde produzir, tanto em palavras como em atos. Interessante notar que Davi não parou de cantar por estar no deserto, nem se abandonou a uma ociosidade relaxada repetindo salmos feitos para outras ocasiões; ao contrário, ele cuidadosamente fez seu culto adequado às suas circunstâncias, e apresentou ao seu Deus um hino do deserto quando estava no deserto. Não havia deserto em seu coração, embora houvesse deserto à sua volta.

I. Deus: meu desejo.
            O salmista mesmo sendo privado de estar no templo ansiava pela presença de Deus. Ele começa o cântico com uma declaração de fé, enquanto o ateu diz “não há nenhum Deus” e o pagão afirma “os deuses são muitos”, Davi cantava sedento: “Ó Deus, tu és o meu Deus”. O anseio que se expressa neste versículos não é o tatear de um estranho que procura achar a Deus, é a impaciência de um amigo, de alguém que ama, para estar em contato com aquele que tanto preza.

I.I. Em meio às dificuldades do que nos lembramos?
            Davi ansiava tanto por Deus, por Sua Presença e Sua companhia que esse desejo se transformou em palavras de louvor, de modo que ele até esqueceu-se de seus inimigos e sua perseguição, lembrando apenas no final do cântico e profetizando a derrota deles. Se estamos cheios de sede por Deus não existe espaço para ficarmos cheios de ódio e vingança. Paulo falou algo parecido em Atos 20.24: “Mas em nada tenho a minha vida por preciosa, contanto que cumpra com alegria a minha carreira”. Essa era a preocupação última de Paulo. A preocupação principal dos atletas é o treino, a preocupação principal dos cientistas são as pesquisas, a preocupação principal dos vestibulandos são os estudos e a nossa preocupação última, enquanto cristãos, qual é?

II. Deus: o meu deleite.
            O salmista mesmo passando (possivelmente) privações no deserto, se deleitava no Senhor e saciava a sua alma com os desígnios do Senhor. Isso foi capaz de produzir “rios no deserto”. “O Teu amor é melhor do que a própria vida por isso o louvarei”; “as tuas bênçãos são como alimentos gostosos, elas me satisfazem, e por isso canto alegremente canções de louvor a ti”. Mesmo em meio à aflição não devem nos faltar motivos para louvar o Senhor. Quando este é o seu estado de ânimo habitual, o crente valoriza a bondade divina mais do que a própria vida. Davi esteve continuamente em perigo; a preocupação e o temor mantinham os seus olhos vigilantes, e davam-lhe noites de angústia; porém, ele consolava-se ao pensar em Deus.

III. Deus: minha defesa.
            As misericórdias do Senhor, quando pedidas durante as vigílias da noite, sustentam a alma e dão gozo na escuridão. Quão feliz será a manhã em que o crente, ao despertar, possua a semelhança divina, seja satisfeito com toda a plenitude de Deus, e o louve com alegria de lábios, naquele lugar maravilhoso onde não há noite e de onde a tristeza e os suspiros fogem. O salmista não tem dúvidas de que segará com gozo, ainda que naquele momento semeasse com lágrimas. Ele Sabia que Deus seria justo para com ele e venceria seus inimigos.

Conclusão.
            Qual é nosso anseio? Qual é a nossa preocupação principal? O que faz-nos levantar cedo e nos dedicarmos? O anseio de Davi era o Senhor, a preocupação última era fazer a sua vontade, ele levantava cedo para adorá-lo. Ele foi vitorioso. Que nós sejamos também. Davi sofria as conseqüências do seu pecado (quando adulterou com a mulher de Urias), Absalão se revoltara contra ele. Mas Davi se arrependeu, adorou o Senhor, rendeu-se profundamente à seus Braços e saiu de um homem pecador, para um homem segundo o coração de Deus. Mesmo se errarmos, se buscarmos ao Senhor em sinceridade, sedentos, Ele nos fartará. Amém.