1 de julho de 2012

O perdão está ao alcance de todos


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Por Job. Nascimento

Textos: II Crônicas 33.1-20; Mateus 18.23-35.

            Existe um livro chamado “A oração de Manassés”, esse livro não é reconhecido pelo cânon bíblico e, portanto, é considerado um livro apócrifo. Sua data é indeterminada bem como sua autoria. Afora estes aspectos literários, este livro lança luz sobre o arrependimento do rei Manassés e de como Deus se mostrou favorável a ele. Podemos destacar alguns aspectos que nos são úteis hoje: 1) Deus é o Deus daqueles que se arrependem; 2) Ele é o Deus da Justiça. Nesses dois pontos está alicerçado todo o livro que mostra o reconhecimento da soberania de Deus por parte do rei Manassés; uma eloquente e comovente confissão de pecados, na primeira pessoa e no singular; um apelo a misericórdia e perdão; e a oração de Manassés termina com as seguintes palavras: “...e Tua é a glória sempre. Amém”. Mas, quem foi Manassés para que seu arrependimento e oração merecessem serem lembradas? Ou melhor, o que esta oração tem a ver conosco hoje?

I – Manassés: um assassino, idólatra e pecador contumaz

            Segundo o historiador R.N. Champlin, Manassés foi o décimo quarto rei de Judá. Começou a reinar em 696 a.C., com 12 anos de idade, e reinou durante 55 anos. Seu governo foi assinalado por decadência moral, espiritual e política. Manassés foi um tirano sanguinário, que se esqueceu de Deus. Ele introduziu altares ilegais nos átrios do templo e participou daquele horrendo culto pagão que obrigava os filhos de Israel a serem passados pelas chamas, em adoração a falsas divindades. Também encheu a cidade de Jerusalém com sangue inocente, mais do que qualquer outro monarca antes dele.
            O Senhor falou diversas vezes com ele. No entanto, Manassés não lhe deu ouvidos. Pelo contrário, mandou matar alguns profetas. O Senhor se irou e “trouxe os príncipes da Assíria, os quais prenderam Manassés com ganchos, amarrando-o com cadeias e o levaram à Babilônia” (II Crônicas 33.11). Muitas vezes agimos como Manassés, não damos ouvidos à voz do Senhor.

II – Manassés e o perdão divino

            Poderíamos encerrar a história aqui e muitos afirmariam: “Manassés teve o que mereceu”, no entanto, Deus não age de acordo com nossas justiças próprias, nosso senso de certo, com nossa lei. O amor de Deus Transcende todo e qualquer pecado. Por mais perturbador e escandaloso, por mais asqueroso e contumaz que ele seja. Porque para Deus “o contrário de injustiça não é justiça, é amor”. De modo que 55 anos de pecaminosidade de Manassés, sua idolatria e seus assassinatos foram passíveis de perdão mediante o arrependimento.
            Não importa quantos anos ou quantas vezes pecamos; quantas vezes no fazemos de fariseus, florimos nossos discursos, decoramos estéticamente nossas orações para que sejam vistas e admiradas pelos outros, assim como ele perdoou Manassés Ele está de braços abertos para nos abraçar. Deus coloca os números dele sobre a mesa para zerar o seu pecado. Para chegar num denominador comum: o perdão.
            Proponho-lhes uma reflexão: “Não é nada agradável quando encontramos ao pé da pagina de um interessante artigo a palavra: continuará... No entanto, é uma palavra maravilhosa quando se aplica a outros assuntos. Que consolo é lembrar que a misericórdia do Senhor continuará! E todos os volumes que registram os feitos da graça de Deus fazem apenas parte de uma longa série que...continuará” (SPURGEON: 1989, p. 19).

III – Deus deseja que reproduzamos esse perdão em nossos encontros

            Em Mateus 18: 23, Jesus conta uma parábola para ilustrar como é o reino de dos Céus. Jesus disse que o Reino dos Céus é semelhante ao rei que vai ajustar as contas com seus servos e ao encontrar um homem que lhe devia 10 mil talentos (cada talento valia: 6000 denários, ou seja, ele devia 60 milhões de denários), não tendo como pagar o rei ordenou que ele, sua mulher e filhos fossem vendidos. O servo se humilhou e rogou ao rei e este o perdoou. No entanto, ao sair e ver um conservo que lhe devia 100 denários (100 dias de trabalho) aquele servo o agarrou e o sufocava dizendo: “pagas o que deves”. O rei ao saber disso chamou o servo que havia perdoado e o prendeu.
            Essa parábola nos mostra que de uma dívida muito maior e impagável nós fomos perdoados por Deus, e que, dessa forma devemos ver todas as pessoas como dignas de nosso perdão e todas as dívidas como passíveis de serem sanadas.

Conclusão

            Assim como Deus perdoou um homem que o ofendeu por 55 anos, Deus deseja que perdoemos os nossos semelhantes. Que essa mensagem encontre guarida em nossos corações e possamos entender que nada nos separa do amor de Deus (“não há nada que possamos fazer para que Ele nos ame mais, nem há nada que possamos fazer para que Ele nos ame menos” P.Y). E que também possamos orar como Jesus nos ensinou, aplicando em nosso dia à dia: “perdoa as nossas ofensas assim como nós perdoamos aqueles que nos têm ofendido”. 

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